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Foto: divulgação


*Por Carol Zerbato, ativista pró-animais, fundadora da agência de comunicação Ô de Patas e criadora da Cachorra Carol, personagem ilustrada que, por por meio de quadrinhos fala sobre a relação do homem com o animal, adoção, abuso de animais e outros assuntos.

Carol Zerbato, ativista pró-animais

 

Matthew McConaughey, vencedor do Oscar por sua atuação em “Clube de Compras Dallas”, emagreceu quase 20 quilos para incorporar seu personagem.

Para interpretar uma serial killer em “Monster: Desejo Assassino”, Charlize Theron engordou, pintou as sobrancelhas, usou lentes de contato e dentes postiços, e colocou próteses no rosto – esforços que lhe renderam o Oscar de melhor atriz.

Jared Leto já fez dietas surreais pela indústria hollywoodiana: engordou mais de 30 quilos para interpretar o assassino de John Lennon e emagreceu até os quase 50 quilos para seu personagem em “Clube de Compras Dallas”, pelo qual ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante.

Fora os atores que já dispensaram dublês, correram riscos ou até se machucaram para garantir a impecabilidade de uma cena.

Afinal, vale tudo em nome da arte, não é?

Depende.

Se a escolha for sacrificar o próprio bem-estar, como nos casos acima, talvez.

Se a escolha for sacrificar o bem-estar do outro, como no caso do cão Hércules, forçado a entrar numa piscina com forte correnteza durante as filmagens de “Quatro Vidas de um Cachorro”, mesmo estando incontestavelmente apavorado, não.

Não só porque é cruel, não só porque é errado, não só porque é inadmissível. Simplesmente, porque Hércules não escolheu passar por aquilo.

Assim como o tigre King também não escolheu quase morrer afogado nos bastidores de “As Aventuras de Pi”.

Assim como a orca Keiko não escolheu estrelar o clássico “Free Willy”.

Assim como os cinco golfinhos que interpretavam “Flipper” no famoso seriado da década de 1960 não escolheram trocar a liberdade de casa por um tanque de cinco minutos de fama.

Até existe uma organização nos EUA – a AHA (American Humane Association) – que deveria fiscalizar e garantir o bem-estar dos animais nessas produções. O problema é que a ONG, responsável por emitir o certificado “No animals were harmed”, já esteve sob suspeita de encobrir diversos casos de maus-tratos em Hollywood, como o próprio incidente com King no longa de Ang Lee.

Sem contar que, principalmente os animais selvagens, além de não terem escolhido os holofotes dos sets de filmes publicitários, longas, curtas e séries, também não escolheram sofrer os abusos psicológicos – e, em alguns casos, até físicos – causados pelo cativeiro a que são submetidos para o treinamento.

Certa vez, um chefe incrível que tive me ensinou: quando escrever um artigo, nunca aponte um problema sem apontar uma solução.

Colocando em prática o que aprendi, regras mais rígidas, punições mais severas e instituições que fiscalizassem de verdade o que hoje fingem fiscalizar já seria um adianto e tanto para evitar que animais sejam explorados indiscriminadamente pela indústria cinematográfica e publicitária – não só americana, mas mundial, porque isso acontece com mais frequência do que se imagina, em diversas partes do mundo, inclusive por aqui, no Brasil.

Além do que, hoje, com os recursos de animação avançadíssimos disponíveis, seria ainda mais fácil regularizar e proibir participações animais em produções que possam violar o bem-estar dos bichos.

No entanto, a solução mais eficaz – e, ao mesmo tempo, mais complicada e mais distante – seria uma mudança hierárquica de consciência: que direito temos nós, humanos, de obrigar um cachorro a entrar numa correnteza ou de tirar uma orca da natureza para fazer piruetas?

Assim, para o treinador e para todos os coniventes com os casos do cão Hércules, do tigre King, da orca Keiko e dos golfinhos Flipper, que acreditaram, por algum momento, que vale qualquer sacrifício em nome da arte, a réplica seria simples:

Fale por você. Não por eles.

 

assina redação

Feira de adoção de pets no Shopping Pátio Guarulhos

Procurando um melhor amigo? Dia 11 de fevereiro, o Shopping Pátio Guarulhos promove uma feira de adoção de pets, com cães e gatos que estão em busca de um lar. Das 11h às 16h, os profissionais da Ong Deixe Viver e do Centro de Zoonoses estarão presentes com animais prontos para serem adotados. Além disso, o evento fará arrecadação de rações, vestuário e acessórios, que serão doados a abrigos de animais abandonados.

Com a participação de empresas parceiras, o evento ainda conta com uma programação gratuita, que inclui palestra oferecida pela universidade UNG, equipe de recreação para divertir a criançada, com pinturas faciais, oficina de máscaras e de ilustrações de desenhos, e a presença especialíssima do bernese montanhês Magnus.Bernese montanhês Magnus

O cão-estrela representa a fabricante de alimentos para cães e gatos Magnus, uma das apoiadoras da feira, e já tornou-se conhecido em todo o País. Muito mais do que um mascote querido e pra lá de simpático, ele estrelou filmes publicitários, um clipe musical e apareceu até na revista Caras. Encantador e muito bem relacionado, o cão já inspirou a criação de suas versões em bonecos de pelúcia, porque todos querem levá-lo para casa.

 

Feira de Adoção de Pets no Shopping Pátio Guarulhos

Data e horário: 11/02/2017 – das 11h às 16h
Local: Piso térreo – Avenida Rosa Molina Pannochia, 331, Vila Rio, esquina com a avenida Benjamin Harris Hannicut
Informações: 2458-8100 e www.shoppingpatioguarulhos.com.br
Estacionamento gratuito

 
Assina cris

Fotos: Edu Leporo e Marcelo Santos

Fotógrafo pet e corporativo, em seu próprio estúdio e no Daylight Produções Fotográficas, José Eduardo Leporo Pereira, 43, é apaixonado por animais e foi por meio dessa paixão que ele criou o projeto Moradores de rua e seus cães (MRSC): uma inquietude, um questionamento sobre a vida desses bichos que tornou-se projeto fotográfico, livro e ação social.

Edu Leporo e o projeto Moradores de rua e seus cães (MRSC)Edu Leporo, como é conhecido no mundo da fotografia, nasceu e cresceu em Guarulhos. “Por 20 anos vivi no Picanço, depois fui pra Vila Augusta e também pro Cocaia. Hoje, até pela demanda da profissão, moro na capital paulista”. Apaixonado por fotos, desde sempre, ele conta que era o fotógrafo oficial da família e, mesmo não sendo da área, lia e se informava sobre. “Ganhei uma bolsa de 50% na faculdade e fui fazer direito. Cheguei até o último semestre na FIG, mas não era o que queria. Há uns 6 anos, decidi que seria fotógrafo profissional. Na época, trabalhava numa produtora de vídeo e dentre as produções que fazia, também mexia com foto, o que aguçou ainda mais a minha vontade. Saindo de lá, fui trabalhar como encarregado de obras da Prefeitura de São Paulo e aquilo era sufocante. Foi quando comecei a estudar fotografia. Vendi meu carro, juntei dinheiro e comecei a comprar equipamento. Pedi demissão e encarei essa nova fase”, explica ele, que afirma que o grande apoio recebido da esposa foi fundamental para o sucesso da nova empreitada.

Começou fotografando eventos sociais, como aniversários e festas de amigos, além de ensaios de estúdio. Mas, foi em uma paixão de infância que ele se encontrou na profissão. “Quando era criança, lembro que minha avó Innocencia tinha uns 8, 10 cachorros em casa e sempre tinha um lugarzinho para um novo amigo. Foi ela que me ensinou, desde cedo, a importância de se ter e amar um cão. E eu pensei: por que não aliar a fotografia com o segmento pet? Atualmente, ainda são poucos os especialistas nisso. Imagina antes? Aí eu fui ser fotógrafo de pets”. Para isso, ele fez cursos, estudo e se especializou e, hoje, até ensina a técnica na cidade e em outros estados, como Blumenau, em Santa Catarina.

 

Desafios da fotografia pet

Sempre que vai começar uma nova turma, o fotógrafo pergunta se seus alunos gostam mesmo de animais. Se a resposta demorar a chegar, ele já sabe que aquilo não será para eles. “Tem que gostar de verdade, já que seu modelo vai te lamber e até fazer xixi e coco em seu estúdio. E eles têm a vontade deles. Um ensaio pet dura no máximo uns 40 minutos, e isso já é muito. É necessário estudar um pouco o animal e seu comportamento e além de todo o conhecimento, tem muito do dia a dia. Cada bicho é um bicho e você vai aprendendo com isso”, fala ele, que ministra, inclusive, cursos para donos de pets que gostam de clicar seus bichinhos de estimação.

 

O projeto fotográfico e como tudo começou

Fazendo ensaio de pet em estúdio, com peludos fofinhos, cheirosos e de banho tomado, Edu começou a se questionar sobre a vida dos animais que vivem nas ruas e foi ali que um novo projeto surgiu. “O cão é sempre companheiro, seja do dono rico, com uma boa casa, ou um simples morador de rua e sua carroça, e eu queria sempre saber como era a vida deles, na rua. Num dia comum, peguei a câmera e saí. Vinha passando pela Paulista, depois de fazer um trabalho, e encontrei o casal Neto e Shirley, com três cães, um deles sem o movimento nas patinhas de trás. Ele me explicou que eles viviam de esmolas e recicláveis e revertiam boa parte do que ganhavam para os bichos”. Sem grandes pretensões, ele postou a história no Facebook e começaram a vir pedidos e indicações de outros relatos. “Fui retratando tudo e, depois de 4 anos de pesquisas e 30 histórias contadas, recebi o convite da Startando, uma plataforma de crowdfunding, pra gente lançar isso em livro. Assim surgiu o “Moradores de rua e seus cães”. Depois de tudo isso, eu, minha esposa e alguns amigos ficamos pensando uma forma de ajudar essas pessoas e começamos a receber doações. Juntamos um grupo de 14 pessoas, todos voluntárias e, mensalmente ou a cada dois meses, vamos pra rua”.

 

Do livro ao social

Em pouco tempo, a iniciativa, que começou pequena, foi ganhando grandes proporções. “Com o apoio da Prefeitura de São Paulo, da subprefeitura e da ONG Viva ZN, conseguimos espaço em praças ou cantos da cidade. A primeira grande organização foi em agosto, na Praça Princesa Isabel. Lá juntamos a Kombosa Solidária, que serviu 300 lanches e cafés da manhã, o pessoal do Mini Gentilezas mandou 350 kits de higiene pessoal e distribuímos três mil peças de roupas e calçados. Pros pets, a ração foi fornecida pela Baw Waw, os carrapaticidas pela Bayer, as vacinas antirrábica e V10 pela Biovet Pet e as guias pela Zee.Dog”. Na ocasião, eles ainda agregaram banho e tosa, com a Simpaticão Petmóvel. “Conseguimos lavar 16 cães. Tinha pet de oito anos, que nunca havia tomado um banho. […] Nem só de ração vive o cão, então a gente procura o bem-estar dele também. Eu milito de uma forma diferente, porque não resgato, não socorro, não sou protetor, mas não discrimino quem é. Deixo o lance de castração e resgate para quem sabe e gosta. Existe ONG pra tudo e eu escolhi um caminho diferente. Lógico que no evento também chegam pessoas que não têm cães e a gente não nega ajuda, mas o foco é a dupla morador e cachorro de rua”.

Para o futuro, novidades virão e, com o livro e as exposições fotográficas, que já aconteceram no MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo), vários shoppings e até cidades do nordeste, Edu espera atrair ainda mais olhares. “Nosso plano é viajar o Brasil inteiro. A ideia é que isso vire uma corrente que, por onde passe, gere vontade e um novo núcleo para a pessoa ajudar lá mesmo, onde mora. Desde que se faça a coisa corretinha, pode usar o nome do projeto, não tem problema”, finaliza.

 

Conheça o Edu:

eduleporofotografia.wordpress.com
www.facebook.com/eduleporofotografia
www.instagram.com/eduleporofotografia

Ajude o projeto:

www.facebook.com/moradoresderuaeseuscaes
www.instagram.com/moradoresderuaeseuscaes

 

***Matéria originalmente publicada na Revista Guarulhos 119

 

Assina cris

SOBRE

Blog criado pela jornalista Cris Marques, de Guarulhos/SP, apaixonada por animais, mãe do cãozinho Bilbo e das hamsters Bubbles e Marceline (que viraram estrelinha em 2016), e uma fã incondicional de informação e novidades. Quer descobrir mais sobre o mundo pet?

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